European Portuguese word of the week (#190): [o] (modo) condicional

Bom dia/tarde/noite a tod@s, dependendo de onde estiverem (e de quando estiverem a ler este post, claro)!

Palavra do dia de hoje é, na verdade, uma série de palavras para um tempo/modo verbal português. O modo condicional, normalmente referido apenas como condicional, é o modo verbal utilizado quando se quer estabelecer algo como uma condição: uma ação que se só pode ser feita, terminada ou cumprida caso outra aconteça. No Brasil, o condicional é chamado de [o] futuro do pretérito, e é considerado um tempo verbal do indicativo. É assim chamado por se considerar que também serve para descrever ações passadas, mas que ocorreram num passado mais próximo face a outras ainda mais antigas.

blueberries cake chocolate chocolate cake
Eu dar-te-ia um pedaço deste bolo de chocolate se me fosses buscar um garfo.

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European Portuguese expression of the week (#189): népia

Bom dia/tarde a tod@s!

Como já se devem ter apercebido, de há um ano a esta parte tenho alternado estas publicas entre Palavras e Expressões Idiomáticas da Semana, para tentar cobrir um leque maior de novas palavras para ajudar à vossa aprendizagem do português.

A expressão do dia de hoje é utilizado num registo mais coloquial/informal, ou seja, só entre amigos ou conhecidos, e especialmente entre gente jovem. Faz parte de um registo menos cuidado e talvez não a vão utilizar muito quando falarem com portugueses, mas pode ser que a ouçam na rua!

Népia significa “coisa nenhuma” ou “não”. Pode ser utilizada para substituir a interjeição “não” (como resposta a uma pergunta):

  • Conheces o meu primeiro? Népia, acho que não.

Com o sentido de “coisa nenhuma”, serve para qualificar uma expressão negativa; aqui, substitui o pronome indefinido “nada”:

  • Não percebo népia de matemática.
silhouette photo of standing man holding camera looking at fireworks display
– Estás a ver o mar? Népia, estou a ver o fogo de artifício!

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European Portuguese word of the week (#188): quinta

Olá a todos, e bem-vindos a mais uma Palavra da Semana!

A palavra de hoje é tão comum que é um pouco estranho que não me tenha lembrado mais cedo dela: falo-vos de [a] quinta, a palavra em português europeu para o lugar onde são criados animais e produzidos alimentos e outros produtos para consumo humano de forma especializada e intensiva. É um local central para qualquer regime de produção agrícola, e faz parte da vida dos humanos há pelo menos dez mil anos, desde que foram criadas as primeiras sociedades agrícolas no Neolítico.

Em Portugal, a palavra mais comum para falar sobre estes terrenos é [a] quinta. Os animais da quinta incluem galos e galinhas, vacas e bois, ovelhas e carneiros, porcos e porcas, por vezes outros tipos de aves (como gansos e patos) e outros animais que possam ser utilizados para a produção de leite e derivados (como cabras). Algumas quintas dedicam-se somente à produção de vegetais e frutos (sendo que o terreno onde são cultivadas árvores de fruto é chamado de [o] pomar). No Alentejo, na zona sul de Portugal, também podem ser chamadas de [a] herdade, um conceito associado a grandes quintas rurais com um só dono e onde trabalhavam muitas pessoas por um salário. O montado faz parte da paisagem comum das herdades alentejanas.

agriculture barn clouds corn
Um celeiro numa quinta.

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European Portuguese idiom of the week (#187): escolha múltipla

Boa tarde a todos!

Peço-vos imensa desculpa pelo artigo de hoje chegar um pouco atrasado: pensava que o tinha guardado como artigo (post), mas afinal guardei-o como página, por isso é que não aparece diretamente no website! :( Deixo-vos em baixo o artigo correto, agora já como post! Obrigado pela compreensão e boa semana!


Boa tarde a todos! Espero que tenham tido uma ótima semana!

De volta ao nosso circuito por expressões particulares do português europeu, hoje decidir trazer-vos uma que não sabia ser específica de Portugal até há um mês, coisa menos coisa. Falo de escolha múltipla, ou seja, a uma pergunta onde existem várias possibilidades de resposta, sendo que normalmente apenas uma delas está correta. Pelo menos em Portugal, alguns testes e exames têm perguntas de escolha múltipla; não são tão dominantes como nos EUA (onde alguns testes são só de escolha múltipla), mas podem fazer parte de um teste, para testar diferentes níveis de dificuldade e capacidades inteletuais dos alunos.

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Uma má maneira de preencher uma pergunta de escolha múltipla.

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EP word of the week (#186): bólingue

Bom dia a todos! Espero que tenham tido uma ótima Passagem de Ano e que o novo ano vos esteja a tratar bem (:

Palavra da Semana que vos trago hoje não tem nada de especificamente específico a esta época do ano (era suposto ser o último artigo do ano passado, antes de me ter lembrado que ainda não tinha escrito nada sobre o nosso Pai Natal!), mas é uma palavra útil para quando nos visitarem.

[O] bólingue é a forma portuguesa (de Portugal) de escrever bowling, o popular jogo de bolas e pinos jogado em salões em vários sítios (e agora, com as novas tecnologias, disponível também em smartphones e consolas para quem não quer ou não pode se deslocar a um salão de bólingue). Em Portugal, a palavra [o] bowling também é bastante conhecida, e muitas dos estabelecimentos comerciais dedicados ao bólingue utilizam a versão original do nome para patrocinar os seus serviços. Bólingue acaba por ser a forma aportuguesada do nome, especialmente a forma como o português europeu o pronuncia.

Em especial para vocês que estão a aprender a língua, destacaria o fato de bólingue ter como vogal tónica (a mais forte) um O aberto (semlhante ao au na palavra inglesa “cause”), que normalmente é diferente da forma como um falante nativo do inglês a diria.

sport alley ball game
Um salão de bólingue/bowling.

 

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EP idiom of the week (#185): não há de ser nada

Boa tarde a tod@s, e bem-vindos a mais uma Expressão da Semana, neste caso a última do ano de 2018! Espero que todos tenham tido um ótimo ano, cheio de momentos felizes, conquistas pessoais e, claro, avanços no domínio da nossa querida língua portuguesa!

A expressão idiomática que decidi escolher para encerrar o ano é uma de que gosto particularmente, porque também expressa muito daquilo que considero ser o espírito português: não há de ser nada é usada sempre que se quer mitigar uma situação má, experiência negativa, dizendo que aquilo que se está a passar vai ser passageiro ou não terá consequências de maior. Por exemplo, quando alguém está à espera de exames do médico, pode dizer-se “não há de ser nada” para acalmar a pessoa que está à espera da resposta, o mesmo seria dizer “está tudo bem”.

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Photo by Matthias Zomer on Pexels.com

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EP word of the week (#184): Pai Natal

Bom dia/ Boa tarde / Boa noite a todos/todas! Já estamos quase a chegar ao fim do ano, espero que tenham todos tido razões para sorrir este ano (é que tenham avançado muito na vossa aprendizagem do português, como é óbvio).

A palavra do dia de hoje é por demais conhecida, mas tem dois nomes diferentes em Portugal e no Brasil. A figura que traz presentes às crianças no Natal é conhecida como [o] Pai Natal em Portugal, mas por [o] Papai Noel no Brasil! Noel é uma influência do francês Noël, já que no Brasil a palavra para a festividade também é [o] Natal.

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Uma lista escrita pelo Pai Natal. Vocês foram bons ou maus este ano? Acham que merecem prendas? :) Photo by Pixabay on Pexels.com

Por outro lado, os adjetivos associados ao Natal também mudam: em Portugal, natalício/natalícia; enquanto no Brasil é mais comum natalino/natalina.

Não sei como é que me esqueci de vos falar destas palavras o ano passado, mas ficam aqui para vocês agora!

Boas Festas!

EP idiom of the week (#183): de borla

Olá a todos/todas! Bem-vindos a mais uma Expressão da Semana!

Quem conhece Portugal e os portugueses sabem que adoramos um bom desconto (ou seja, poupar nas compras, aproveitando preços mais baixos). É muito comum haver secções dentro dos supermercados com vários produtos em promoção, e algumas grandes superfícies já têm secções só com produtos de todas as espécies em promoção – uma forma tanto de escoar o seu stock e de dar aos clientes a oportunidade de poupar dinheiro nas suas compras.

Aquilo que talvez não se encontre muito são coisas de borla, uma expressão muito portuguesa (e muito apreciada) para coisas totalmente gratuitas! Dizer que algo foi de borla significa então que é grátis, que não tivemos de pagar para recebê-lo.

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Um supermercado. Photo by Fancycrave.com on Pexels.com

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EP word of the week (#182): bica / cimbalino

Olá a todos/todas, e bem-vindos/bem-vindas a mais uma Palavra da Semana!

As duas palavras de hoje são muito importantes, porque dizem respeito a uma das atividades preferidas dos portugueses: beber café! E com café tão bom como o nosso, quem é que nos pode culpar? (: Tenho a certeza que os leitores lusodescendentes, estrangeiros residentes em Portugal e antigos turistas podem dizer o mesmo!

Por ser tão popular, o café expresso, servido em pequenas chávenas de porcelana, tem também nomes diferentes consoante a região: na zona de Lisboa, ouve-se mais [a] bica; na zona do Porto, [o] cimbalino. É mais uma forma engraçada de ver a rivalidade entre as duas maiores cidades do país; e por favor não se atrevam a confundir os nomes, a reação dos empregados do café pode não ser a melhor (:

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Photo by Jessica Lewis on Pexels.com

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EP idiom of the week (#181): resvés Campo de Ourique

Esta expressão tão engraçada e portuguesa é formada pela expressão adverbial “resvés” (perto, rente, à beirinha) e “Campo de Ourique”, uma zona da cidade de Lisboa. Como não podia deixar de ser, há uma história na História de Portugal que explica esta expressão tão peculiar…

Em 1 de Novembro de 1755, um terramoto de grande intensidade no Atlântico, não muito longe da costa algarvia, fez tremer todo o país. Lisboa, a maior cidade da altura, foi especialmente afetada: o tremor de terra derrubou muitos edifícios, fogos destruíram outros tantos (como a iluminação era feita com velas e as casas tinham coberturas de madeira. Velas + madeira + tremor de terra = não é a melhor combinação) e uma imensa onda criada pelo terramoto, chamada de maremoto em português, terminou a desolação.

Como o Campo de Ourique estava afastado o suficiente do rio para não sucumbir às ondas, têm-se aqui uma das reportadas origens da expressão “resvés Campo de Ourique”, que significa “quase, por um triz, por pouco”.

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O terramoto de 1755. Photo credit: Deep Maps Cork

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